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CMPC Chile: como a medição digital chegou a toda a operação

18 de maio de 2026
CMPC Chile: como a medição digital chegou a toda a operação

A CMPC não é uma empresa que experimenta tecnologia por impulso. A gigante chilena de celulose e papel — classificada no Forbes Global 2000 — gerencia milhões de metros cúbicos de madeira em tora em operações de colheita, desbaste e corte final distribuídas por extensos distritos florestais no Chile. Quando os erros de medição se acumulam nessa escala, as consequências operacionais e financeiras são expressivas. Quando a CMPC iniciou os pilotos com o Timbeter em 2017, não estava em busca de uma novidade tecnológica. Estava em busca de uma forma de elevar a medição ao mesmo nível de rigor do restante das suas operações mecanizadas.

O piloto começou em áreas específicas de colheita. Já nos primeiros meses, dois pontos ficaram evidentes: a velocidade de medição aumentou de forma expressiva — 15 vezes mais rápida do que o método manual — e os dados gerados eram mais consistentes e auditáveis. Esses resultados desencadearam algo que a empresa não havia planejado inicialmente: uma implementação nacional completa.

A medição manual era o elo fraco de uma operação moderna

A infraestrutura de colheita e logística da CMPC vinha se mecanizando continuamente desde os anos 1990. Os equipamentos eram sofisticados. Os sistemas de planejamento eram detalhados. Mas a medição — base de todo cálculo de volume, de toda decisão logística, de toda transação comercial — ainda era feita com latas de spray e paquímetros, com trabalhadores próximos a máquinas em operação, em condições de campo. Máquinas altamente produtivas geravam dados que eram, em seguida, registrados da forma menos confiável possível.

Os riscos não eram apenas financeiros. Os trabalhadores que realizam medições manuais de diâmetro operam próximos a equipamentos pesados. A exposição à maquinaria durante a cubagem é um risco de segurança documentado — difícil de eliminar sem mudar o próprio método de medição.

Os resultados do piloto, em números

Os resultados do piloto deram à CMPC um panorama claro do que realmente estava em jogo. A operação registrou um retorno sobre o investimento de 11,5 vezes nas áreas onde o Timbeter foi implantado. Com a projeção da metodologia para a operação nacional completa, a economia estimada chegou a 1,2 milhão de dólares, com um ROI projetado superior a 15 vezes.

O consumo de tinta caiu em 45 toneladas por ano. Eliminar a marcação física dos troncos ao migrar para a captura digital de diâmetros suprimiu esse custo por completo, junto com a mão de obra envolvida — um cenário familiar para quem opera grandes pátios de madeira no Brasil, onde a marcação de toras com tinta ainda é prática corrente em muitas empresas.

Nenhum acidente foi registrado durante o período do piloto. Os trabalhadores deixaram de precisar permanecer ao lado das máquinas para concluir a tarefa de medição. A distância que o aplicativo cria entre o medidor e a tora tornou-se uma margem de segurança que a empresa não conseguia alcançar por outros meios.

A lógica operacional por trás de uma implementação nacional

No início de 2021, a CMPC decidiu estender o Timbeter a todas as operações no Chile. Não foi uma diretriz imposta de cima — foi uma resposta ao que as equipes de campo estavam relatando. Quem havia usado o sistema declarava que não queria voltar à medição manual. A adoção tornou-se autossustentável.

O impacto logístico foi um fator decisivo. A CMPC planejava anteriormente as rotas de caminhões com base em volumes de estoque — estimativas agregadas suficientes para uma programação geral, mas insuficientes para uma otimização diária precisa. Com o Timbeter, as rotas passaram a ser planejadas com dados por pilha: volumes exatos em localizações específicas, atualizados em tempo real. A programação do transporte ficou mais ajustada, os quilômetros rodados em vazio diminuíram e a diferença entre entregas planejadas e realizadas se reduziu.

A cadeia de suprimentos também ganhou em transparência. Quando cada medição está vinculada a uma imagem, um carimbo de data e hora e uma geolocalização, as disputas sobre volume deixam de existir. Os dados substituem a discussão. Um registro objetivo e rastreável das medições realizadas em campo significa que ninguém precisa argumentar sobre números — uma mudança estrutural especialmente relevante em operações com múltiplos fornecedores e contratantes, como é comum no setor florestal brasileiro.

O Dashboard em nuvem do Timbeter teve um papel específico nesse processo. Supervisores e coordenadores de logística podiam acompanhar a produção em tempo real pelo portal, revisar medições, orientar equipes remotamente e monitorar a produção diária sem precisar estar presente em cada pilha.

O que esse caso revela além de uma empresa

A implementação da CMPC chamou atenção nos mais altos níveis. Durante a visita de Estado da Presidente da Estônia, Kersti Kaljulaid, ao Chile em janeiro de 2020, representantes da CMPC apresentaram a parceria com o Timbeter como exemplo da transformação digital em curso no setor. Nicolás Gordon, Diretor de Sustentabilidade da CMPC, conectou a iniciativa diretamente aos compromissos da empresa com o Pacto Global da ONU. A mensagem foi direta: ferramentas de medição digital não são acessórios da sustentabilidade — são parte integrante dela.

Para grandes operações florestais como as do Brasil — onde empresas como Suzano, Irani e ArcelorMittal já utilizam medição digital em suas cadeias de suprimentos — o caso CMPC reforça um ponto estrutural. Digitalizar a medição não é substituir trabalhadores qualificados por um aplicativo. É remover o processo de medição como fonte de erros, atrasos e riscos, e devolver esses dados aos sistemas de logística, planejamento e reporte que já estavam preparados para aproveitá-los.

As operações que buscam escalar de forma sustentável devem avaliar onde a medição se encaixa na sua própria cadeia. Para muitas, ela ainda é a lacuna entre uma operação moderna e uma totalmente rastreável.

Dados de medição confiáveis são a base de uma operação florestal eficiente.

A CMPC substituiu a cubagem manual pelo Timbeter em centenas de frentes de colheita no Chile — conquistando rastreabilidade total, mais segurança e um retorno sobre investimento superior a 15 vezes. Veja como aplicar essa abordagem na sua operação.

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